segunda-feira, 18 de março de 2013

" Chove forte dentro de mim, mas aguardo ansiosa o arco-íris. Ele sempre vem! "


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sonho por sonho, caixa por caixa.

o que é frágil, recomenda-se separar e enrolar em toalhas.
desce as cinco prateleira ao chão. sobram os furos na parede.
atrás do poster, poeira.
embaixo da cômoda, poeira.
poeira metódicamente decantada por longos dezoito meses.
poeira que eu sacudi naquela manhã.


Ligia Paiva


cacos de olhar
ecoados no espelho

semeado em ventos
precisos e incertos por

entre paredes e hálitos

e os dias passam sem
que a vida me devolva

nenhum dos pedaços


Lau Siqueira







daqui até a felicidade há uma estrada reta, plana,
 a visão não alcança a extensão a percorrer,
 mas a inteligência a percebe. Daqui até lá há uma estrada
 passando por um pijama azul até os pés, colunas da cama, porta de tela, telhado de ardósia, cinza no terraço molhado cheio de poças,
 grade branca decorativa, rua, faixa de areia, mar cinzento sob a chuva.
 Ainda não chegou a hora de ir embora, ainda não,
 pois esta estrada oferece uma oportunidade de aproveitar, 
uma vez que conduz de volta à vida em sua plenitude

Sylvia Plath



queria explicar-te a lógica... esqueça!
não é que não lembre a bendita:
se eu tivesse mais tempo e tu mais cabeça...!
muita coisa inda tem que ser dita.


Lewis Carroll


Estou no meio do caminho, na esquina da razão, no limite da sanidade, guardando perguntas sem respostas e respostas sem lógica. Mas no amor a lógica é uma variável onde dois e dois pode ser cinco.
Na minha rua não existem mais ladrilhos que brilham, as luzes me cegam. Acordo sem lembrar dos sonhos. Só sei que era colorido.
Lá distante no incio da ladeira consigo ver o arco iris com suas 7 cores, cada uma me diz que elas podem voltar, um dia...





É - Tulipa Ruiz

segunda-feira, 11 de março de 2013

" os instantes alimentam as ventanias de amores quebrados"


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Uma inverdade:
"o tempo a tudo cura!"


Em realidade,
 nem tudo pode ser curado com o tempo,
 há ferimentos tão profundos, que o tempo pode trazer um alívio a dor,
 mas a marca fica lá,
exposta, 
e em dias de chuva, dói.



Quando me despedaço, é porque preciso aumentar.
Sei disso, porque quando me reuno
Estou sempre maior.


Denise Magalhães


Sou uma pedra agora.
Matéria do tempo e das intempéries.
Veias cavadas por chuvas imemoriais
na raiz do que deve ter sido uma montanha.
Mistura de cores que confunde os olhos.
Não, não sou marrom nem vermelha.
Nem tampouco sei dizer de meu lugar de origem.
Apenas que nos descaminhos da existência, fiz-me pedra.

E nem a geografia me explica


Vássia Silveira

ansiosa, apressada
ando tropeçando nos dias
na ânsia de cair
em algum tom ameno
em alguma brisa azul
em qualquer cheiro doce
que me que
ira.


Marcia Leite




Tempo que corre, que para, que nos atropela. Menino levado, vento, corre, estanca. Dor, novelo dentro de mim, nó que não desata, risco na minha pele que sangra sempre que o pensamento voa, vai, volta me toma inteira e me leva para o quarto escuro onde tudo grita, espanca, e me joga ao chão.
Fico, remoo, não quero sair, esqueço o sol.
Um dia, depois de colar teus beijos, e sentir que é de verdade, eu saio de lá.




insensatez - fernanda takai

segunda-feira, 4 de março de 2013

“Não ando perdida, mas desencontrada.”

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Tenho escrito pouco, vivido pouco, chorado pouco. Há tempos de ser água e tempos de ser rocha; como água sou flúida, as palavras se acercam de mim menos tímidas - como rocha nem ousam se aproximar. Que tudo na vida é muito estranho, principalmente nós mesmos, é fato. Há tempos em que, precisamos dar conta do teatro do real, por uma questão de sobrevivência, ou somos engolidos por nossa própria boca e a saliva da loucura. 

Denise Magalhães


Despedaços de mim
Reviravoltas por dentro de mim
Tenho 7 mil vontades
Todas elas insaciáveis
além de indispensáveis
(...)

Sei que a desilusão
há de ser minha morada
O destino, meu guia
Sou feita de terra macia
se desmanchando
qual noite e dia

Mara


Um momento
Qualquer lugar, um arrependimento
Qualquer horário, um lento desalento
O mesmo olhar, o mesmo envolvimento
E tudo volta a acontecer!

Bruna Caram







E continua a fluir, dentro de mim, essa força que se dilui em rios vários, que se perde em seus próprios contornos, mas retorna e permanece, ainda que mudada, ecoando.
Nas paredes brancas da casa o som passeia e a imagem refletida no espelho brinca de reconhecer a si mesma, já sabendo a resposta. Os dias carregam a poeira dos descuidos, das entrelinhas, do achar que é, sem ser, ou sendo. Fora, a representação vive alimentada dos vôos internos, e nem sempre se completa a rota. Daí é um voltar que conta o tempo que relógio nenhum marca, para sair depois, e continuar. Vivendo.

do Blog instinto, doçura e ferocidades



E no meio do vento norte, me dou conta que meus ladrilhos amarelos estão cheios de lodo, a estrada escorregadia me faz voltar no tempo , reconhecer a velha dor, procuro respirar fundo talvez acorde, e tudo faça sentido novamente. Um movimento e sinto o frio gélido nas veias apesar do sol quente queimar minha pele, a tempestade está dentro de mim.
Levantar quando o vento sopra contra nosso corpo é tão dificil quanto esquecer tudo que nos faz sofrer. Não sei se vou ter forças para ficar em pé novamente, não sei se posso colar os pedaços de mim que ficaram pela estrada...




better man - pearl jam