terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Noites Brancas


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Da janela do meu quarto conto as estrelas antes de dormir, o sono sempre vem assim desde criança.
Desde cedo senti que o infinito estava lá adiante, na estrada que nunca vi o fim, no céu azul e na imensidão do negro da noite.
Acho que isso é o que tenho de melhor, a imaginação.
Fui menina atada na barra da saia da mãe. Meu mundo era o dela, os gostos, os sonhos...
Até que um dia eu criei asas e consegui ultrapassar barreiras.
Asas a beira de um abismo, quase sem tempo para saber voar. E fui além. Desenhei um novo destino.
Palavras têm o dom de mudar a nossa vida.
Uma palavra derruba muros. Cria outros mundos. E foi com palavras que vivi e (re) nasci.
Um dia resolvi cortar os nós que me atavam, que me prendiam. Nó mesmo de amor pode sufocar.
Me perdi no mundo, bati, cai, conheci perigos, enfrentei temores, derrubei certezas.
Hoje estou de volta, o retorno sempre dói. Aliás acho que nunca voltamos porque tudo sempre muda, é cíclico. Mas a sensação de estar parada me domina.
De noite nossos medos e ansiedades tornam-se maiores.
A noite sempre foi um desafio, o escuro faz a gente se assustar, as sombras enganam. Medo do desconhecido, do que não se vê.
Quero ter o poder de escrever novos capitulos, de mudar o fim dessa história.
Quero luz, sol, quero noites brancas, que não escureçam, que mantenham meus dias, que me deixem viver mais, sentir perfumes, ver novas cores.
Tenho um encontro marcado, espero alguém chegar.
Espero, mesmo que não venha, espero com ânsia de seguir.
Você virá desconhecido?  Nosso encontro está marcado.
E quando chegar dançaremos a mesma música.
E um dia seremos assim, dois errantes, caminhando, quem sabe na direção das estrelas.



*Este post faz parte do projeto “Caderno de Notas”, do qual participo ao lado das escritoras Ana Claudia MarquesIngrid CaldasLetícia AlvesLuciana Nepomuceno,Lunna Guedes e Tatiana Kielberman. O tema da semana é:" Noites Brancas".