domingo, 31 de maio de 2015

amar é a eterna inocência






Quem está morrendo, amor,
Precisa de tão pouco:
Um copo d’água, o Rosto
Discreto de uma Flor,

Um Leque, talvez, Uma Dor Amiga,
E a Certeza que nenhuma cor
Do Arco-Íris perceba
Quando embora for.


Emily Dickinson
(Tradução de Ana Cristina César)










Tenho andado na sua caleça, cocheiro,
acenado braços nus às vilas que passam,
aprendendo as rotas finais, no fogareiro
sobrevivo às chamas que pernas assam
e fendem ossos, onde a carroça se arrasta.
Mulheres assim de morrer não se vexam.
Eu tenho sido desta casta.

Anne Sexton




Não sei como consigo 
amar-te tanto
se querer-te assim na minha fantasia

é amar-te em mim
e não saber já quando
de querer-te mais eu vou morrer um dia

Maria Teresa Horta


O meu olhar é nítido como um girassol. 

Tenho o costume de andar pelas estradas 

Olhando para a direita e para a esquerda, 

E de, vez em quando olhando para trás... 

E o que vejo a cada momento 

É aquilo que nunca antes eu tinha visto, 

E eu sei dar por isso muito bem... 

Sei ter o pasmo essencial 

Que tem uma criança se, ao nascer, 

Reparasse que nascera deveras... 

Sinto-me nascido a cada momento 

Para a eterna novidade do Mundo... 


Alberto Caeiro









Encontrei você era manhã num caminho escuro. Da explosão se fez cores e brilhos. Da indecisão, os pedaços não colados. Partes soltas, quebradas, asa partida que não me permitiu fugir. Morrer um pouco em momentos de gozo, morrer um tanto no desencanto. O abismo dos desafetos onde o amor definha. A morte pode ser fim, a morte pode ser recomeço. A música ainda toca, o toque ainda queima. Amor é isso, morrer e depois se  encantar.






elis regina - tatuagem