"A gente nasce e morre só. E talvez por isso mesmo é que se precisa tanto de viver acompanhado."
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Rachel de Queiroz |
Agora,
o quarto onde ela mora
é o quarto mais alegre da fazenda,
tão claro que, ao meio dia, aparece uma
renda de arabesco de sol nos ladrilhos
vermelhos,
que — coitados — tão velhos
só hoje é que conhecem a luz do dia...
A luz branca e fria
também se mete às vezes pelo clarão
da telha milagrosa...
Ou alguma estrela audaciosa
careteia
no espelho onde a moça se penteia.
Que linda camarinha! Era tão feia!
— Você me disse um dia
que sua vida era toda escuridão
cinzenta,
fria,
sem um luar, sem um clarão...
Por que você não experimenta?
A moça foi tão bem sucedida...
Ponha uma telha de vidro em sua vida!
Conversávamos sobre saudade. E de repente me apercebi de que não tenho saudade de nada. Isso independente de qualquer recordação de felicidade ou de tristeza, de tempo mais feliz, menos feliz. Saudade de nada. Nem da infância querida, nem sequer das borboletas azuis, Casimiro.
Nem mesmo de quem morreu. De quem morreu sinto é falta, o prejuízo da perda, a ausência. A vontade da presença, mas não no passado, e sim presença atual.
Saudade será isso? Queria tê-los aqui, agora. Voltar atrás? Acho que não, nem com eles.
A vida é uma coisa que tem de passar, uma obrigação de que é preciso dar conta. Uma dívida que se vai pagando todos os meses, todos os dias. Parece loucura lamentar o tempo em que se devia muito mais.
Você começa quando aprende a juntar as letras; faz frases engraçadinhas que seu avô acha gênio e mostra a todo mundo. Então você se convence de que é escritor.
Essa convicção representa um compromisso, desde aquela idade remota, "já que é um escritor, é obrigado a escrever". Se os pais são medíocres intelectualmente, o exercício da suposta vocação torna-se fácil.
Quarenta anos, quarenta e cinco. Você sente, obscuramente, nos seus ossos, que o tempo passou mais depressa do que esperava. Não lhe incomoda envelhecer, é claro. A velhice tem suas alegrias, as sua compensações - todos dizem isso, embora você pessoalmente, ainda não as tenha descoberto - mas acredita.
Morrer,
só se morre só.
O moribundo se isola numa redoma de vidro,
ele e a sua agonia.
Nada ajuda nem acompanha.Rachel de Queiroz - Professora, jornalista, romancista, cronista e teatróloga brasileira nascida em Fortaleza, primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras (1977)
A solidão é semente pisada no chão do coração!
ResponderExcluirBeijos!!
perfeito esse post!
ResponderExcluiruma bela homenagem a essa grande Mulher!
beijo querida...
Zil
que foooooooooda!!
ResponderExcluirTanto escrito, tanto falado. Doce, muito doce.
ResponderExcluirTão linda Rachel na sua mocidade.
ResponderExcluirUm beijooO*
grande verdade essa agente morre só..bem que me apetecia levar umas quantas pessoas para me ajudarem...kkk..principalmente as que dizem que estou velho..rs..lindo querida..bj
ResponderExcluirobg pelas palavras anjo :)
ResponderExcluirOI,Maggie!Adorei a frase que dá título ao post acho uqe é bem isso entre o intervalo de nascer e morrer temos sim que viver bem acompanhados, viver acompanhado é tão bom,tão gostoso ter alguém por perto...
ResponderExcluirBeijosss
Mesmo acompanhados, somos sempre sós! É impossível partilhar o mundo interior! Estar só não significada estar solitário.
ResponderExcluirGirassóis nos seus dias. Beijos.
Oie lindona.
ResponderExcluirPrimeiro deixa eu rir do Quim rsss, não guento rss, acho melhor a gente se cuidar rsss.
É bem verdade mesmo.
Linda homenagem a Raquel.
Beijos querida.
ADORO A RACHEL DE QUEIROZ! Ela é maravilhosa. Adorei o post. E é verdade mesmo, nós temos que viver cientes de que morreremos sós, assim como viemos ao mundo. A morte é como á vida: Um sopro. Quando você ver, já aconteceu, e você passou o tempo todo tentando entender o que já estava escrito.
ResponderExcluirSaudades de você no Biacentrismo! Aproveita e curte no facebook quando você passar lá ;D Beijo amada
http://biacentrismo.blogspot.com
Temos que cuidar da saúde! Um abraço, Yayá;)
ResponderExcluirQue interessante o que ela diz sobre ser escritor...E instigante também.
ResponderExcluirDiva essa mulher, admirável.
Beijo, beijo.
Maggie, perdi o link do blog da Suzana. Tu pode deixá-lo pra mim, por favor?
ResponderExcluirObrigada!
Bom dia.
ResponderExcluirNostálgico...
Quando não somos decifrados, compreendidos, então a solidão se faz maior.
Beijos.
Maria Auxiliadora (Amapola)
Raquel ... Raquel
ResponderExcluirDiva, mais que diva!
adorooooo tudo que ela escreve
Fantástica!
amei o poster ...
Beijos querida,
um dia cheio de Luz e paz ...
Om Shanti.
Bom dia querida, morrer só é dormindo, é um sonho que tenho...sem dar trabalho para ninguem, sem ser estorvo na vida de ninguem, pois sabemos muito bem, que doentes ninguem nos quer...Morrer só, nao tenho medo! Que venha a MORTE no seu devido tempo...Por enquanto, quero é viver só ou acompanhada, tanto faz...Bjin...Te amodoro! Fique bem!
ResponderExcluirmuito bom!
ResponderExcluirGosto de gente fria, realista, sem papo pra boi dormir.
ResponderExcluirBeijos!
Suzana/LILY